Portugal é um país com quase nove séculos de uma História rica e diversificada, tanto no seu conteúdo como na sua expressão territorial.

Com efeito, o nosso país não apenas foi capaz de se implantar como nação soberana no século XII como se constituiu como o primeiro fator de globalização quando na época de quinhentos “deu novos mundos ao mundo”. Na atualidade está a realizar-se uma nova e, evidentemente, mais profunda globalização, sendo muito sintomático que o Senhor Primeiro Ministro tenha, no âmbito da web summit 2018 considerado o fundador respetivo como um novo Fernão de Magalhães, o que significa que está, afinal, a ser continuado aquilo que os portugueses começaram há mais de 600 anos.

Justamente em razão desse seu rico e, além disso, vasto historial os portugueses foram sempre pessoas do seu tempo, construindo castelos e mosteiros numas épocas e construindo universidades e palácios em outras alturas, sempre a par da construção de pontes físicas nos seus territórios ou com civilizações e povos a par de quem fizeram a sua própria caminhada.

Por isso mesmo, o património português, seja ele expresso em exemplares de grande significado político e militar ou em apresentações de natureza civil, religiosa, cultural ou simplesmente arquitetónica, continua a afirmar-se desde a Fortaleza de Valença à de Castro Marim, desde as inúmeras igrejas de Goa, à Colónia do Sacramento, no Uruguai, até às ruínas do Convento de S. Paulo, em Macau.

Portugal conseguiu, assim, construir e manter exemplares de grande significado cultural a nível internacional assim como teve a capacidade de prosseguir essa aposta até à atualidade, sendo dos nossos dias peças como a Casa da Música, no Porto, o Terminal dos Cruzeiros, em Leixões, e o Pavilhão de Portugal na Expo ´98 com a famosa pala.

Mas se o património físico é essencial, e, por questões de espaço apenas me reporto ao edificado e não também à pintura, à escultura e a outras vertentes dos bens culturais móveis, considero que o nosso maior património é o imaterial e, muito especialmente, aquele que corresponde à língua portuguesa.

Na verdade, se em termos geográficos o nosso país não é muito extenso já o mesmo não sucede em termos da língua, também ela uma verdadeira pátria para todos nós, na simbologia que lhe atribuiu Pessoa.

Com efeito, a língua é o nosso património de referência que dá expressão efetiva à nação que somos mas é, também, o traço de união entre os países, por isso mesmo irmãos, da CPLP que se encontram espalhados por quatro continentes.

Embora todos tenhamos a obrigação de cuidar e preservar todo o património, a nossa responsabilidade é maior no que concerne à língua portuguesa pois, tanto nas escolas localizadas em Portugal como, sobretudo, nas escolas portuguesas no estrangeiro, importa que ela seja afirmada como vetor imaterial de cultura e de desenvolvimento, portadora de futuro.

Susana Castanheira Lopes

Diretora-Geral em regime de suplência