A educação é, necessariamente o motor propulsor de uma sociedade que se pretende mais democrática, mais culta e mais desenvolvida. É o caminho que pode catapultar o país para níveis de desenvolvimento capazes de contribuir para uma modernização mais efetiva, mais justa e mais universal. Nesse sentido, investir na educação é claramente a estratégia fundamental de modernização de um país que pretende oferecer as respostas necessárias aos seus cidadãos de forma a garantir o pleno emprego, mais justiça social e mais equidade democrática, independentemente do setor social de pertença, região de origem ou opção sócio cultural. A Educação é, portanto, o caminho e ao Estado compete criar mecanismos de facilitação que incentivem os cidadãos a percorre-lo, na certeza de que este oferece oportunidades que fora dele, não existem.

Ao Ministério da Educação está atribuída a responsabilidade efetiva de garantir que a educação seja universal, democrática e mais justa e, nesse sentido, a ele pertence a responsabilidade de promover e criar os meios necessários que permitam oferecer a todos os cidadãos os instrumentos necessários à plena concretização de princípios constitucionais inalienáveis que, uma vez garantidos, são a pedra angular das sociedades democráticas mais modernas e mais avançadas.

À Direção Geral da Administração Escolar, departamento do ME compete criar mecanismos que promovam uma maior descentralização de recursos e de competências e, nesse sentido promover a cooperação, incentivando as lideranças a serem parte desse grande desígnio nacional que é a criação de um estado mais justo. Através da cooperação entre os vários atores é possível facilitar caminhos, é possível rentabilizar recursos e promover uma gestão mais ativa e mais participada. As políticas de proximidade experimentadas mais recentemente, garantem aos gestores locais, às escolas e à comunidade afinal, a adoção e apropriação de desafios que até há bem pouco tempo, pareciam ser propriedade única de uma administração centralmente localizada que tudo dirigia, tudo orientava e, de forma omnipresente, geria independentemente das especificidades locais, regionais ou circunstanciais. Um grande desafio este, o de cortar com hábitos ancestrais que esgotaram recursos e aganaram mentalidades, obstruindo o fluir da informação e, no limite promoveram tantas vezes desigualdades matriciais.

Como diretor de um agrupamento do interior do país sou testemunha do isolamento, tantas vezes promovido pela própria administração ao não diferenciar o que não é igual, ao legislar para realidades tão assimétricas, impondo soluções questionáveis e materialmente promotoras de diferenciação negativa. É preciso ter coragem para tratar diferente o que, de facto é diferente. É preciso confiar mais nas escolas e promover caminhos que lhes ofereçam autonomia real capaz de experimentar soluções e investir em caminhos seguros que promovam a mudança. Para isso é preciso incentivar a cooperação, a supervisão estratégica e, criar os mecanismos que contribuam para uma classe docente mais motivada e mais proactiva. De facto aos docentes, e não docentes, não tem sido dada a atenção necessária. Exige-se, mas pouco se oferece, esquecendo que este é o verdadeiro exercito, capaz de ganhar a batalha da igualdade e da modernidade. Estamos no bom caminho. Os sinais de maior proximidade e cooperação institucional estão aí. Assistimos talvez, ao início de uma revolução de paradigmas mas, é preciso criar com urgência mecanismos de reforço de motivação e incentivos de modo a transformar caminhos ínvios em autoestradas para o futuro. Afinal, todos conhecemos bem o porto de destino… Por isso, redirecionemos as velas e saibamos aproveitar os ventos de mudança.

Cinfães, 7 de setembro de 2017
Manuel António Pereira