A escola para todos reforçou uma organização do ensino, seguindo uma pedagogia transmissiva, coletiva e uniforme. Em nome do princípio da universalidade, toda a gramática escolar foi organizada por forma a permitir a transmissão de conhecimento do professor para os alunos, à semelhança do que acontecia no modo individual de ensino entre mestre e discípulo. A gestão dos alunos (tendo por base a unidade de classe ou turma), a gestão do tempo escolar (organizado por anos letivos e por tempos escolares rígidos organizados num horário fixo), a gestão dos espaços (espaços específicos para as diferentes aulas, organizados de forma a potenciar uma atitude tendencialmente passiva e recetiva por parte dos alunos) a gestão do conhecimento (compartimentado e organizado por disciplinas) concorrem para a permanência deste modelo, em nome da igualdade de acesso à educação.

Esta pedagogia coletiva, uniforme e transmissiva assenta em lógicas de trabalho docente individualistas que desfavorecem a interação e o desenvolvimento profissional dos docentes.

O modelo organizacional subjacente à organização da escola por “Equipas Educativas” responde a este problema e apresenta três dimensões organizacionais:

i) O agrupamento dos alunos, deixando a turma de ser vista enquanto agrupamento rígido e permanente; ii) A integração curricular, organizando-se os saberes de forma a gerar uma articulação em torno de questões significativas e identificadas de forma colaborativa por educadores e educandos, para além das fronteiras das disciplinas (Beane, 2002); iii) As equipas multidisciplinares, permitindo que sejam os próprios profissionais a idealizar um determinado esquema de trabalho, apropriado às necessidades dos seus alunos.

O MIPSE é um modelo de organização pedagógica concebido pela UCP e que promove uma alteração progressiva das regras do modelo escolar tradicional (todos os alunos a aprender no mesmo espaço, no mesmo tempo, com o mesmo professor e, tendencialmente, da mesma forma) equacionando formas mais eficazes de organizar a escola para a melhoria das aprendizagens de todos os alunos e tem estado em vigor nas Escolas d’Óbidos desde 2015 – 2016 com elevada satisfação de alunos e professores.

 

José Matias Alves e Ilídia Cabral

(Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa)